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Quando o regramento é suplantado pelo enfrentamento...
           ... o Povo chora lágrimas de inquietude; o Território desprotege-se, o Estado esfacela-se; a Nação envergonha-se e, a Pátria é desrespeitada por tudo e por todos.
         O Gentílico brasileiro nos dias de hoje sofre com todo tipo de depreciação: país da corrupção, da desonestidade e, pasmem até designação perante o mundo de: “jeitinho brasileiro”, ou quem sabe a “Lei de Gerson”.
          O noticiário, qualquer que seja o meio de comunicação de massa, ciclicamente, repetidamente, insistentemente: projeta, difunde, divulga notícias similares, quais sejam: corrupção, roubalheira, político desonesto e um sem número de desvios, que salutarmente jamais poderiam estar no dial.
         Vive-se escandalosamente o momento do deixa que eu levo vantagem; qual a sua comissão? Deixa lá com o fulano de tal que tá tudo certo. Não, passa no meu apartamento com alguns “atrativos” que eu compro, eu esquento a procedência.
        Os amigos leitores observaram a sequência que estabeleci no primeiro parágrafo: “POVO”, “TERRITÓRIO”, “ESTADO”, “NAÇÃO” e “PÁTRIA”. Diria um verdadeiro Pentateuco de conquistas, de orgulho, de legítimo engajamento.
         Destrinchando um a um diríamos: Povo – gente, massa, biologia, adrenalina; Território – terreno ocupado, faixa de terra adquirida, conquistada; Estado – composição política escolhida, com regras e objetivos claros e estabelecidos em Lei Maior; Nação – país organizado, sintonizado com o mundo, enfim, Povo, Território e Estado, respeitados, honrados, probos e produtivos.
         Pátria, então, seria o coroamento de: paz, justiça, respeito e orgulho do gentílico brasileiro perante o mundo, não os arroubos de sentimento pátrio caracterizados na época de Copa do Mundo, carnaval ou outro evento.
        O nosso torrão: lindo, vigoroso; atualmente passa por provações diversas: Poderes Constituídos que se digladiam; governantes que a todo tempo questionam as acusações atribuídas a si, sem, contudo, admitirem em qualquer que seja o tempo e o espaço que cometeram crimes, todos são inocentes, sobretudo quando apresentam verdades: frágeis, cambaleantes, ridículas até, mas se mantêm no poder.
         Alunos que enfrentam professores; pais que se deixam enfrentar por filhos descompensados, desvirtuados; policiais que se curvam diante de bandidos, pois, por razões diversas patrocinam tais momentos, enfim, regramentos que são humilhados na essência e que provocam consequências desastrosas para o meio social.
         Regramentos insculpidos na Carta Maior hoje são solapados, ultrajados, pisoteados pelo interesse maior, pelo poder desregrado; exemplo cabal: um representante da Instituição Advocacia, enfrentando um representante da Instituição Magistratura, permitindo-se aos dois procederem como “meninos pintos calçudos” que brigam, por exemplo: pela bola do jogo, com uma diferença substancial: após o entrevero dos “meninos pintos calçudos”, vem a paz; patrocinada pela inocência, pela pureza de ideias.
         Vivenciamos momentos de desprezo à ordem, aos regramentos jurídicos, à harmonia dos Poderes Constituídos, pois se vislumbra acontecimento de temor, de catástrofe institucional, e o que mais preocupa; os praticantes ou possíveis suspeitos desses crimes camuflam-se com produtos muito bem desenvolvidos pelas empresas de cosméticos da maledicência, da maldade, jamais, admitindo suas práticas delituosas.
         Por fim, testemunhamos um momento claudicante, triste, pois, cotidianamente uma horda, uma trupe que se apossou das instituições deste país, pratica estupros diários contra o regramento restando ao povo uma saída escassa, ímpar, materializada talvez pela revolta, pela luta, pelo enfrentamento.
CHAGAS FERREIRA
Enviado por CHAGAS FERREIRA em 17/12/2016
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